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​A Sexalescência: inspiração e ação além das fronteiras conhecidas

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Por Viola Edward* - Ao completar 59 anos, tendo trabalhado desde os 13, sinto-me humildemente satisfeita e feliz por uma vida sustentável e com sentido. Ao me ver hoje mais velha do que a maioria, veio à minha memória um conceito e terminologia que minha amiga trainer de consultoria gerencial e empresarial, Neida Guasamucare, sendo mais velha que eu e começando uma nova carreira quando estava na minha idade, contou-me há muitos anos e que quero compartilhar com vocês, pois está relacionada com o Ritmo do Capital Feminino.



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(Reprodução/Pixabay)


A Sexalescência


É uma geração que tirou do vocabulário a palavra “sexagenário”, pois simplesmente não tem entre seus planos atuais a possibilidade de envelhecer. Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica, parecida com o surgimento da “adolescência”, categoria social que surgiu em meados do século 20 para dar identidade a uma massa de jovens desordenados, em corpos crescidos, que não sabiam até então onde se encaixar, nem como se vestir.


Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta ou setenta, levou uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muito tempo e conseguiram mudar o significado tétrico que tanto a literatura latino-americana deu durante décadas ao conceito de trabalho. Longe dos tristes escritórios, muitos deles buscaram e encontraram há muito a atividade que mais lhes agrada e ganham a vida com isso. Talvez seja por isso que se sentem plenos --alguns nem sonham em se aposentar. Os que já se aposentaram, desfrutam com plenitude de cada um de seus dias, sem temor do ócio ou da solidão. Crescem desde dentro, em corpos saudáveis, diminuindo dia-a-dia a oxidação e desgaste que ocorre com maior velocidade a partir dos 45 anos, adotando hábitos de vida saudáveis, melhorando dia-a-dia sua respiração, sua alimentação, transformando seus pensamentos, abandonando o sedentarismo pelo contínuo movimento, e assim conseguem desfrutar do ócio, já que depois de tantos anos de trabalho, criação dos filhos, carências, fracassos e sucessos, tornam-se conscientes do valor de olhar o mar com a mente vazia ou de ver uma pomba voar desde o quinto andar de um apartamento.


Dentro desse universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel brilhante. Ela traz décadas de experiência de realizar suas vontades, enquanto suas mães haviam sido educadas a obedecer, e agora podem ocupar lugares na sociedade que suas mães nem tinham sonhado.


Esta mulher sexalescênte pôde sobreviver à embriaguêz de poder que o feminismo lhe deu nos anos 1960, naqueles momentos de sua juventude nos quais as mudanças eram tantas, e pôde parar para refletir o que queria de verdade. Algumas foram viver sozinhas, outras estudaram carreiras que sempre haviam sido exclusivamente masculinas, algumas estudaram uma carreira universitária junto com a de seus filhos, outras escolheram ter filhos cedo, foram jornalistas, atletas ou criaram seu próprio “Eu, S.A.”.



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(Reprodução/Pixabay)


Mais algumas coisas já estão claras, por exemplo, que não são pessoas paradas no tempo. As pessoas de “sessenta, setenta ou mais…”, homens e mulheres, mexem no computador como se tivessem feito isso a vida toda. Escrevem e veem os filhos que estão longe e até se esquecem do velho telefone para entrar em contato com seus amigos, e escrevem para eles por e-mail, e usam as redes sociais para compartilhar suas ideias e vivências. No geral, estão satisfeitos com seu estado civil, e se não estão, não ficam conformados e procuram mudá-lo. Raramente se desmancham em um choro sentimental desenfreado. Diferentemente dos jovens, os sexalescêntes conhecem e ponderam todos os riscos, tomam nota.


Compartilho toda esta reflexão, cujos embasamentos são de autor desconhecido, pois de alguma forma me inspira e reforça minhas vivências cotidianas e me faz concluir que estar na faixa populacional da sexalescência é ter a obrigação de pregar mais com o exemplo do que com as palavras, é saber que o momento chegou, para ser congruente entre pensamento, sentimento e ação. É nosso momento.


*Viola Edward é ganhadora de prêmios internacionais, Speaker, Psicoterapeuta e Breathwork Lead Trainer, especializada no trabalho com a mulher, as relações de casal e a claridade nos negócios. Saiba mais no site violaedward.com ou pelo e-mail info@violaedward.com.