15 °C
Saúde

​Governo quer proibir venda de energéticos para jovens na Inglaterra

|

(LONDRES) Por Bruno Fuschini - O governo britânico anunciou no último dia 29 de agosto que pretende proibir na Inglaterra a venda de energéticos para crianças e adolescentes, em meio à crescente preocupação com o impacto que as altas quantidades de cafeína e açúcar neste tipo de bebida estão tendo na saúde dos jovens.


A gestão da primeira-ministra Theresa May lançou um período de 12 semanas de consulta pública para ouvir a opinião da população sobre como a proibição deve ser melhor aplicada. Entre outras questões, o governo quer saber se a idade mínima para a compra de energéticos deve ser fixada em 16 ou 18 anos.

Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales não fazem parte do projeto, pois têm o poder de implementar suas próprias proibições.


Cerca de 70% das crianças britânicas com idades entre 10 e 17 anos consomem bebidas energéticas, de acordo com o Plano de Obesidade Infantil do governo. Estes jovens estão ingerindo, em média, 50% a mais do que a média da União Europeia para essa faixa etária.



Energéticos

Seção de supermercado com energéticos (Bruno Fuschini/Notícias em Português)


O consumo excessivo de energéticos tem sido associado a uma série de problemas de saúde em jovens, incluindo obesidade, cáries, dores de cabeça e estômago, até problemas de sono e hiperatividade.


A proibição deve ser aplicada a bebidas que contenham 150 mg de cafeína ou mais por litro.


Uma lata de 250 ml de Red Bull contém cerca de 80 mg de cafeína, aproximadamente o mesmo que uma xícara de café de tamanho similar, mas três vezes o nível de uma Coca-Cola. O Monster Energy, que muitas vezes é vendido em latas com mais de 500 ml, contém 160 mg de cafeína.


Em nota à imprensa, a Energy Drinks Europe, que representa os fabricantes do setor, disse que uma lata de 250 ml de energético contém geralmente a mesma quantidade de cafeína que uma xícara de café e tanto açúcar quanto sucos prontos e refrigerantes.


"Para todas as idades, há muito mais contribuintes de cafeína e açúcar na dieta do que as bebidas energéticas. A proibição de vendas de bebidas energéticas é, portanto, arbitrária, discriminatória e ineficaz”, diz o comunicado.


A venda de bebidas energéticas no Reino Unido cresceu cerca de 20% entre 2012 e 2017, acumulando £ 1,65 bilhão no ano passado, segundo análise da empresa de pesquisa de mercado Mintel.