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Em luto, equipe avalia perdas após incêndio no Museu Nacional

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(RIO DE JANEIRO) Por Denis Kuck - A equipe do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, destruído por um incêndio na noite do último dia 2, avalia agora as perdas sofridas pela instituição, que completou 200 anos em 2018. Localizado na Quinta da Boa Vista, a instituição abrigava cerca de 20 milhões de itens históricos. As causas da tragédia ainda estão sendo investigadas.


Na manhã do dia 3, com o fogo já extinto, centenas de pessoas se concentraram nas imediações para olhar o que restou do prédio. Muitos jovens estudantes choravam. Nas redes sociais, o clima era de consternação e luto. Muitas pessoas comentavam que o incêndio era um símbolo da crise pela qual o Brasil e o Rio de Janeiro atravessam. As críticas à atenção dada pelo governo para a educação e a cultura foram generalizadas, assim como aos cortes no orçamento do Museu Nacional, que já vinha funcionando precariamente há anos.



Fogo Museu


Museu Nacional sendo consumido pelas chamas (Tânia Rego/Agência Brasil)


O diretor do museu, Alexandre Kellner, disse em entrevista coletiva que no momento era impossível estimar o que foi perdido: “Não vou chutar. Vamos entrar lá e fazer um levantamento completo”.


Fundado em 1818 por Dom João 6°, o Museu Nacional tinha o quinto maior acervo do mundo, uma referência para pesquisadores de diversas áreas. O fóssil mais antigo encontrado no Brasil, batizado de “Luzia”, estava na instituição, assim como coleções de múmias, geologia, paleontologia, botânica, zoologia, antropologia, arqueologia e muito mais.


“O país está de luto. Perdemos parte de nosso acervo, mas não vamos perder parte de nossa história”, disse Kellner, que acusou o governo federal de negligência. O Museu Nacional era administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


No meio da desgraça, uma boa notícia, o Meteorito de Bendegó, encontrado no sertão brasileiro em 1784, resistiu às chamas. “Assim como aquele meteorito, o Museu Nacional também vai resistir”, garantiu Kellner.

 

RECONSTRUÇÃO


Segundo a vice-diretora, Cristiane Serejo, o museu não contava com brigada de incêndio, nem seguro para o acervo. Ela afirma ainda que a instituição já está se organizando para retomar as atividades de pesquisa e pós-graduação no Horto Botânico, que fica num prédio anexo e não foi atingido pelo fogo.


O espaço, de 40 mil metros quadrados, abriga a Biblioteca Central do museu, os departamentos de Botânica e Vertebrados e a coleção de herbários, considerada uma das maiores da América Latina, com 550 mil itens. No Departamento de Vertebrados, estão cerca de 460 mil itens, como mamíferos, peixes, aves, entre outros. Na Biblioteca Central, estão guardados 500 mil títulos, dos quais 1.560 são consideradas obras raras. Todos estes ítens ficaram a salvo do fogo.


Os profissionais do museu também já buscam maneira de recompor parte do acervo perdido. “Nós estamos recebendo várias ofertas de doações. Têm várias instituições estrangeiras, inclusive. Então, a gente vai fazer toda essa campanha para receber o material para a gente reerguer o Museu Nacional com as coleções", informou Cristiane.