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​Onda de imigrantes causa tensão na fronteira com a Venezuela

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(RIO DE JANEIRO) Por Denis Kuck - A situação na cidade de Pacaraima, em Roraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela, atingiu seu maior nível de tensão desde que milhares de venezuelanos começaram a deixar seu país em função de grave crise econômica e social. No dia 18 de agosto, após um comerciante local ser espancado e assaltado, centenas de moradores culparam cidadãos venezuelanos pelo crime e, em bandos, atacaram e expulsaram os imigrantes do território brasileiro. Barracas, malas, lençóis, comida e roupas chegaram a ser queimados pelos brasileiros. Depois do episódio, o Exército confirmou que 1,2 mil venezuelanos cruzaram de volta a fronteira. Não há registro de feridos. Até 3 mil estariam dormindo em tendas na cidade.


No entanto, segundo relatos dos imigrantes, os grupos brasileiros foram extremamente violentos. Com paus e pedras e gritando palavras de ódio, eles atacaram dois acampamentos de venezuelanos, agredindo famílias, que tiveram que sair do Brasil sem seus pertences.



Foto 1 fronteira

Policiais olham incêndio provocado por brasileiros em Pacaraima (Reprodução/Agência Brasil)


Após o incidente, o governo na Venezuela pediu para as forças de segurança do Brasil garantirem a integridade dos cidadãos venezuelanos. Trata-se da maior crise envolvendo a fronteira entre os dois países nos últimos anos. O presidente Michel Temer realizou reunião ministerial para discutir o tema. Ficou definido o envio de 120 membros da Força Nacional e 36 voluntários da área de saúde para Paracaima. Antes disso, apenas 31 soldados fazia a segurança da fronteira no estado de Roraima.


Além disso, segundo o governo, o controle e a triagem na passagem entre Brasil e Venezuela serão reforçados. Há ainda a previsão da construção de 10 abrigos para imigrantes. Dois estão em fase de conclusão. Também haverá um esforço para encaminhar os venezuelanos para outros estados do país, aliviando a situação em Roraima. Outra medida é a instalação de um abrigo de transição, para atendimento humanitário dos imigrantes que aguardam para serem enviados para outras regiões. Cerca de 130 mil venezuelanos atravessaram a fronteira com o Brasil nos últimos meses, a maioria por Roraima. Destes, a estimativa é de que metade permanece no país.