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Calor extremo e incêndios marcam verão no hemisfério norte

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(DE LONDRES) DA REDAÇÃO - A temporada de verão deste ano no hemisfério norte tem sido marcada por temperaturas escaldantes e incêndios de proporções históricas em regiões tão diferentes quanto o sul da Europa, a Escandinávia, os EUA e o Japão.


A Grécia é o país mais afetado, registrando no final de julho sua pior temporada de incêndios em 11 anos. Ao menos 91 pessoas morreram no país devido às chamas, 50 delas na vila de Mati, há poucos quilômetros da capital Atenas. Outras 190, incluindo 23 crianças, ficaram feridas.


Poucas semanas depois foi a vez da Península Ibérica ser atingida pelo fogo. Em Portugal, um grande incêndio atingiu a região montanhosa de Monchique, em Algarve, zona turística no sul do país. Mais de 700 bombeiros foram enviados ao local, enquanto os portugueses ainda têm fresco na memória a tragédia registrada no ano passado, quando uma onda de incêndios deixou mais de 100 mortos.


(Reprodução/Bombeiros Portugueses)

1   Incendio Portugal


A península também registrou uma onda de calor sem precedentes, com os termômetros marcando mais de 40ºC em diversas cidades. Na Espanha, três pessoas morreram devido às altas temperaturas.


O clima escaldante e os incêndios, no entanto, não se limitaram ao sul do continente.


Quase sem chuvas desde maio, a Suécia registrou o seu mês de julho mais quente dos últimos 250 anos. Um série de incêndios florestais atingiram diversas regiões do país, inclusive territórios próximos ao Círculo Polar Ártico. Houve também registro de incêndios nos vizinhos Finlândia, Noruega e Rússia, mas em menor intensidade.


Na Holanda, as autoridades fecharam trechos de estradas nos quais o calor chegou a derreter o asfalto. Na Alemanha, bombeiros combateram chamas nas regiões de Fichtenwalde, a sudoeste de Berlim, e na Saxônia-Anhalt.


Segundo meteorologistas, uma massa de ar quente proveniente do norte da África é a responsável por essa onda de calor, a mais intensa registrada no continente desde 2003.


O fenômeno, no entanto, ocorreu também em outras regiões do mundo. No Japão, as temperaturas ultrapassaram 41ºC, deixando ao menos 40 mortos. Nos EUA, a região da Califórnia registrou o sexto incêndio florestal mais mortífero de sua história. Mais de 4.200 bombeiros trabalharam para apagar o fogo que devastou quase 63 mil hectares e destruiu mais de 1.600 edifícios, deixando ao menos 7 mortos.


(Reprodução/Lusa)

2   Calor Portugal


O QUE ESTÁ ACONTECENDO?


Incêndios podem ocorrer naturalmente em florestas, inflamados pelo calor do sol ou por raios. No entanto, a grande maioria deles --até 90% em todo o mundo-- é iniciado por humanos, dizem especialistas.


A causa pode ser o carvão usado no churrasco, um cigarro jogado fora ou até mesmo um incêndio. Enquanto houver combustível e oxigênio disponíveis, as chamas podem facilmente começar.


A Grécia teve um inverno e primavera excepcionalmente secos este ano, deixando o mato especialmente inflamável, diz Thomas Smith, professor adjunto de geografia ambiental na London School of Economics and Political Science (LSE).


Além da falta de chuva, o vento também determina o quão devastador o fogo será, dependendo de sua força e direção.


"Brasas ardentes podem viajar muito longe e iniciar novos incêndios que podem se estender por quilômetros se forem grandes o suficiente", diz Smith.


Os incêndios superficiais, que queimam no solo da floresta, por exemplo, tendem a se propagar de modo mais lento, podendo ser controlados mais facilmente.


Segundo a holandesa Cathelijne Stoof, especialista em incêndios florestais, alguns incêndios superficiais podem até ser positivos, pois "ajudam as plantas a se regenerarem".

"O problema é quando as chamas podem escalar galhos e alcançar as copas das árvores. Aí é quando não podemos detê-las", diz.


A parte mais perigosa de um incêndio é chamada de cabeça de fogo, explica Smith. Por ter chamas compridas, costuma ser facilmente levada pelo vento e é muito difícil de combater.


Mas não é apenas madeira e mato que rapidamente se tornam combustível para incêndios florestais. Casas e veículos próximos queimam devido aos materiais que contêm, como plásticos e borrachas.


Na Grécia, os carros na estrada pegaram fogo antes das árvores ao redor pois eram mais inflamáveis. E eles não precisaram ser atingidos diretamente pelas chamas para entrar em combustão.


"Tudo se resume à quantidade de energia que as chamas emitem", diz Smith. "Os carros podem estar a dezenas de metros de distância e ainda estar perto o suficiente para pegar fogo."