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Português é preso após se passar por vítima de incêndio na torre Grenfell

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(DE LONDRES) DA REDAÇÃO - O cidadão português António Gouveia, de 33 anos, foi preso no início do mês após as autoridades descobrirem que ele havia recebido indevidamente cerca de £ 53 mil em benefícios alegando ser uma vítima do incêndio que destruiu em junho do ano passado a torre Grenfell, na zona oeste de Londres, deixando ao menos 72 pessoas mortas.


Após a tragédia, o governo britânico disponibilizou uma verba de mais de £ 6 mi para auxiliar os moradores e familiares afetados.


Além de uma ajuda financeira para alimentação, Gouveia, que trabalha com limpeza, teria ficado hospedado por 289 dias em um hotel junto ao Hyde Park, cuja soma do custo das diárias aos cofres públicos foi de £ 44.795.


Em audiência no tribunal de Westminster, o procurador Henry Fitch disse que o português alegou que estava vivendo no apartamento de uma senhora idosa, cujos dados teria descoberto após interceptar uma correspondência destinada a ela.


O advogado de defesa, Davinder Vird, afirmou durante a audiência que Gouveia passava por dificuldade no ano passado, após ter se separado da companheira, de nacionalidade britânica, e acabar sem domicílio fixo.


Preso sem direito a fiança até à leitura da sentença, marcada para 31 de agosto, Gouveia é acusado de dois crimes de declaração falsa.


O caso de Gouveia, no entanto, não é o único. Ao menos outras cinco pessoas foram presas nos últimos meses após receberem ou reclamarem indevidamente benefícios relacionados à tragédia.


Mohammad Gamoota, de 31 anos, foi condenado a 18 meses de prisão após fingir ser filho de uma das vítimas para receber £ 5.000 em diárias grátis de hotel.


Elaine Douglas e Tommy Brooks, dois imigrantes jamaicanos, receberam mais de £ 100 mil em acomodação e cartões pré-pago até a autoridade local descobrir que o apartamento em que eles afirmavam morar não existia.


Joyce Msokeri, de 47 anos, foi condenada a quatro anos e meio de prisão após se passar por sobrevivente e tentar reivindicar uma indenização de centenas de milhares de libras. Ela alegava ter perdido o marido e a cunhada na tragédia, quando, na verdade, era solteira e morava a quilômetros de distância da torre.


Já Anh Nhu Nguyen, de 52 anos e morador de Beckenham, no sudeste de Londres, foi condenado a 21 meses de prisão após mentir que tinha perdido mulher e filho no incêndio.


O prédio contava com mais de 300 moradores. Entre as vítimas estava um bebê, filho dos portugueses Márcio e Andreia Gomes. Logan, que já tinha quase sete meses de gestação, morreu devido à intoxicação por fumaça da mãe, que foi hospitalizada juntamente com uma das duas filhas após escapar pelas escadas desde o 21º andar.


Além do casal e as duas filhas menores, outros seis portugueses viviam no prédio: Miguel e Fátima Alves e dois filhos, e outros dois amigos portugueses, residentes num apartamento vizinho. Todos sobreviveram.



Grenfell

A torre Grenfell durante trabalho para apagar incêndio (Reprodução/BBC)