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Reino Unido

Discordância sobre Brexit gera demissões e crise no governo May

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(LONDRES) DA REDAÇÃO - A novela do Brexit teve novos episódios de tensão após três secretários de governo britânicos deixarem seus cargos em menos de 24 horas devido a discordâncias com o caminho traçado pela primeira-ministra Thereza May para os termos da separação do Reino Unido da União Europeia.


O último a deixar o posto, na segunda (9), foi o secretário das Relações Exteriores, Boris Johnson. Eurocético e partidário do “hard Brexit’”, o ex-prefeito de Londres se demitiu após May aprovar documento que propõe a Bruxelas que, após a saída da União Europeia, o Reino Unido continue integrado numa zona de livre-comércio com regras aduaneiras muito semelhantes às que atualmente vigoram.


Em carta divulgada após o anúncio oficial de sua saída, Johnson afirmou que o plano de May "não desce pela garganta" e que dará ao Reino Unido o status de colônia em relação ao bloco europeu.


O ex-secretário das Relações Exteriores, Boris Johnson  (Reprodução)

Boris Johnson Foreign


"O Brexit deveria ser sobre oportunidades e esperanças. Deveria ser uma chance de fazer as coisas de modo diferente, de ser mais ágil e dinâmico e de maximizar as vantagens particulares do Reino Unido como uma economia aberta, voltada para fora [...] Esse sonho está morrendo, sufocado por uma insegurança desnecessária”, disse Johnson.


Mais cedo, na noite de domingo (8), David Davis, ministro responsável pela condução das negociações do Brexit, anunciou sua saída do governo, argumentando diferenças irreconciliáveis com o que May estabeleceu no documento aprovado no dia 6. Com Davis saiu também o seu adjunto, Steven Baker.


Na manhã de segunda (9), Downing Street anunciou que Dominic Raab mudaria de sua atual pasta da Habitação para o cargo anteriormente ocupado por David Davis. Já Baker será substituído por Chris Heaton-Harris. O conservador Jeremy Hunt foi apontado para o cargo de Johnson.


O motim no alto escalão expõe as grandes divergências dentro do Partido Conservador e lança a já enfraquecida administração May numa crise sem precedentes. A primeira-ministra, no entanto, parece determinada em seguir seu caminho. Em discurso no Parlamento, pouco após as demissões, ela voltou a defender a ideia de manter relações econômicas estreitas com a União Europeia. As próximas semanas serão cruciais para medir a força da oposição interna ao plano da premiê, o que, em última instância, pode significar o fim do seu governo.


Do lado europeu, não está claro ainda se o bloco vai concordar com as propostas contidas no plano de May, que prevê a livre circulação de bens, mas não de serviços e trabalhadores. Para Bruxelas, a incerteza política no Reino Unido faz com que a possibilidade de um não-acordo até março de 2019 pareça muito mais provável. Como a Comissão Europeia vem repetindo, o tempo para as negociações está se esgotando.