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Esporte

Torcedores invadem a Rússia e transformam o país durante a Copa

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(André Casado)

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(MOSCOU) ANDRÉ CASADO - Rússia como sinônimo de alegria e harmonia? Só mesmo a Copa do Mundo de futebol para transformar o país, famoso por ser pouco sociável, em uma grande festa. Já passamos da metade da 21ª edição do torneio, e a energia fora de campo tem contagiado os russos. Mais de dois milhões de apaixonados pelo esporte, no total, são esperados até o dia 15 de julho --data da final.


Durante todo o século passado, o então império soviético ficou isolado do ocidente por questões políticas. Isso vem mudando com a intensa globalização, e os jovens já demonstram uma atitude diferente. São mais abertos, sorridentes e falam um pouco de inglês. O idioma, aliás, ainda é o maior obstáculo, já que a Rússia tem um alfabeto próprio e, mesmo com o Mundial, não há indicações suficientes para os turistas.


É confuso se encontrar de vez em quando, é tudo muito cheio, mas nada que atrapalhe a viagem e o momento que estamos vivendo. É importante que a Rússia tenha esse evento e se torne mais sociável para o mundo. “Temos um papel importante nisso”, disse o comerciante brasileiro Daniel de Mello, que se planejou há um ano e estudou um pouco do alfabeto local para não ficar perdido.


O clima de paz e carinho entre as torcidas é comovente. Adversários vão juntos ao estádio e depois lotam os mesmos bares, não importando o resultado. É algo cada vez mais raro na intolerância do futebol e precisa ser ressaltado. Apenas dois momentos negativos marcaram esta primeira parte da Copa na Rússia. A agressão de argentinos a um croata, após a vitória da seleção europeia por 3 a 0, e os vídeos em que brasileiros induzem russas a cantarem obscenidades na língua portuguesa. Em tempos de combate ao assédio, não caiu nada bem.


Os preços praticados também chamam a atenção. Hotéis e transportes estão cerca de 200% mais caros, o que torna acomodações alternativas e transporte público a melhor opção. Moscou e São Petersburgo, as maiores cidades, têm sistemas de metrô que funcionam muito bem e reduzem as distâncias para os pontos turísticos. Na capital, a Praça Vermelha é o destaque com a belíssima catedral São Basílio, a sede do Kremlin e o Mausoléu de Lênin, que sempre têm longas filas para visita.


Quando a bola rolou, os favoritos largaram na frente. Seja com dificuldade, como Brasil, Alemanha e Argentina, ou com sobras, casos de Bélgica, Uruguai e Inglaterra. O português Cristiano Ronaldo e o inglês Harry Kane, dois candidatos a craque da Copa, são dois dos maiores goleadores até aqui.


(André Casado)

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BRASILEIROS SÃO ATRAÇÃO NA RÚSSIA


Onde quer que estejam, os brasileiros são atração na Rússia. Turistas de todos os países querem uma foto com a camisa amarela. Aliás, quanto mais adereços, melhor. O tratamento de popstar se deve à idolatria com a seleção liderada pelo astro Neymar e também ao carinho ao jeito brasileiro de ser. É fácil encontrar um grupo puxando um pagode e sendo rodeado por câmeras e olhares curiosos.


Muitos visitantes dizem que estiveram no Mundial disputado no Brasil, há quatro anos, e se encantaram ainda mais pelo país. E os que não puderam ir, sofreram com o 7 a 1 imposto pela Alemanha na semifinal e redobraram a torcida pela volta por cima da equipe canarinho.


Mas o número de mexicanos é que chama mesmo a atenção. Eles lideram algumas estatísticas de público, mesmo nunca tendo obtido um resultado expressivo na competição. Há sombreros e camisas verdes por toda a parte. Na vitória sobre a Alemanha, na primeira rodada, impressionou a superioridade nas arquibancadas, levando em consideração a disparidade financeira e distância para a Rússia.



Os argentinos também marcam presença forte. São unidos, apaixonados e estão por toda a parte. Já os portugueses, em número menor, são fiéis à seleção e fizeram belo papel nas três partidas, em sedes diferentes: Sochi, Moscou e Saransk.