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Em tempos de Brexit, novo embaixador de Angola fala de boas relações com o Reino Unido

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Foto: Cristiane Lebelem

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"É sempre bom pensar na diáspora 

como um elemento fundamental do nosso trabalho. 

Vamos verificar o que podemos fazer para facilitar a 

vida dos angolanos no Reino Unido".







(LONDRES) Por Cristiane Lebelem - Há poucos dias, o diplomata Rui Jorge Carneiro Mangueira desembarcou pela segunda vez para atuar nas relações diplomáticas entre a República de Angola e o Reino Unido. Para quem anteriormente já esteve em solo britânico e representar um país africano talvez o desafio não seja fora do esperado. Mas em tempos de Brexit, sem dúvida, o novo embaixador terá uma missão importante, pois com a saída da União Europeia muitos acordos devem se dar isoladamente, a ponto de mudar questões diplomáticas, comerciais e também de transferência de desenvolvimento. Na própria embaixada em Londres fomos recebidos para uma conversa sobre o futuro de Angola frente a esse novo cenário político no Reino Unido. Acompanhe.


Notícias em Português: O senhor acaba de apresentar suas credenciais como diplomata à rainha Elizabeth II. Qual é a sua principal missão em tempos de Brexit?


Embaixador: O Reino Unido está atravessando uma fase muito particular da sua História e que tem a ver com o fato de que, depois de um estado de evolução da União Europeia, haver uma decisão soberana no sentido de sair da UE. Há um projeto de negociação em curso e esse projeto tem estado a avançar num sentido da sua retirada. Obviamente existe uma série de questões que precisa ser resolvida. E isso faz com que o Reino Unido tenha que pensar em uma estratégia adequada de relacionamento com todos os países do mundo. Deixando de fazer parte do bloco haverá mais autonomia, e nós esperamos ter uma relação privilegiada com o Reino Unido.


NeP: E como isso pode ajudar Angola?

Embaixador: Os dois países têm boas relações há muito tempo. Eu mesmo passei por aqui anteriormente, entre 92 e 94, e já naquela altura nós sentimos que o diálogo era fácil. Não só em Luanda, como em Londres também. No plano político, Angola tem recebido visitas de parlamentares e de altos responsáveis do governo britânico. A ministra para África esteve diversas veze em Angola, e o Reino Unido inclusive tem uma pessoa enviada especial para questões de comércio internacional para Angola, que é a baronesa Lindsay Northover. Nós sentimos que há uma vontade muito grande para que o Reino Unido possa continuar a contribuir para o desenvolvimento de Angola, e em termos de relações de cooperação. Existe ainda um longo caminho a percorrer, mas nós temos uma boa relação com algumas empresas do Reino Unido, em especial a BP (British Petroleum), que tem tido um papel muito importante no desenvolvimento do setor petrolífero.

Nep: O que está sendo feito no campo do desenvolvimento?

Embaixador: Já temos alguns projetos, que entendemos serem prioritários e que estão em andamento. Temos setores que foram identificados. Estamos falando da agricultura, infraestrutura, do transporte, financeiro e, eventualmente, do setor da energia.


Nep: O senhor terá quatro anos pela frente como missão diplomática, como pretende representar seu país. Quais serão os pontos fundamentais da sua missão?


Embaixador:Eu gostaria de mencionar que há um ponto fundamental, e a esse respeito já estamos trabalhando, que é o desenvolvimento de setor financeiro, das instituições financeiras do Reino Unido. Por essa razão, no dia 3 de maio deste ano foi possível fazer a emissão dos bilhetes do tesouro soberano, que permitiu a Angola poder emitir nessa ordem e ter pelo menos cerca de 3 bilhões de dólares disponíveis, em virtude dessa operação.


Nep: Que mensagem o senhor quer deixar neste momento aos nossos países lusófonos, e em particular, ao povo angolano que vive aqui?

Embaixador:Eu gostaria de dizer que, depois de estar no Reino Unido há poucos dias, é sempre uma grande satisfação voltar à Inglaterra para trabalhar e obviamente além do aspecto relacionado entre a aproximação de Angola e Reino Unido tornar-nos muito mais próximos, existe também uma missão fundamental que tem a ver com o relacionamento com a diáspora angolana. Em virtude de sua riqueza e identificação, acreditamos que temos que ser parceiros que criam condições para apoiar a nossa diáspora. Sem dúvida alguma, quando nós olhamos para os desafios que temos pela frente, é sempre bom pensar na diáspora como um elemento fundamental do nosso trabalho. Vamos verificar o que podemos fazer para facilitar a vida dos angolanos no Reino Unido.