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Comunidade em luto por imigrante português que morreu de frio em Westminster

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Foto: Arelys Gonçalves

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Sem-teto dorme na calçada no centro de Londres


(LONDRES) Da redação -  A morte de Marcos G., cidadão português com ascendência angolana, na estação de Westminster no dia 14 de fevereiro trouxe tristeza e apreensão a toda a comunidade portuguesa falante em Londres, já que é sabida a existência de outros imigrantes na mesma situação de moradia precária e sem abrigo na cidade. “São episódios recorrentes que nos preocupam porque sabemos que há muitos dormindo nas ruas”, diz o vereador Guilherme Rosa, councillor em Stockwell.



Não são apenas imigrantes portugueses, africanos e brasileiros que chegam a este país sem saber o idioma e condições de arranjar um seguro de trabalho e residência.



A realidade dos jornais e das rodas de conversa mostram que muitos vêm atrás de uma vida melhor, sem expectativas. Mas também há um número considerável dos que chegam seduzidos por uma promessa de emprego ou acordos que em realidade não se efetivam.


Há uma expectativa que os números de imigrantes vindos de Portugal estejam em descenso, em virtude da melhora na economia portuguesa e dos crescentes casos de xenofobia no Reino Unido. Ainda assim, a estimativa é que centenas de portugueses vivam em situação de sem abrigo em Londres.



“Há muitas entidades que apoiam o sem abrigo e muita gente da comunidade ajuda individualmente”, relembra Guilherme. Mas o mesmo não ocorre com gente de outros países. A julgar pela quantidade de pessoas que chegam diariamente no Reino Unido sem condições de dar conta do básico pela sobrevivência.



A notícia da morte de Marcos


O corpo de Marcos foi encontrado morto por volta das 7h15 da manhã do dia 14, quando uma pessoa que o tentava acordar percebeu que não respondia. Embora a causa da morte ainda não tenha sido divulgada, naquela semana a temperatura baixou a -2 graus centígrados.



Segundo informações da organização de caridade The Connection, que atua ao lado de pessoas em situação precária e sem teto, o português era presença frequente nas ações do grupo e estaria esperando o resultado de uma seleção para trabalhar como garçom em Londres.



A morte de Marcos gerou comoção imediata nas redes sociais e também ecoou no Parlamento britânico. Leia na página 12 desta edição como o fato repercutiu em Portugal.



De acordo com informação fornecida pela assessoria de imprensa do Consualdo de Portugal em Londres, os Serviços Consulares contactaram, logo em seguida, a família do cidadão português. Também devem seguir acompanhando o processo todo junto das autoridades britânicas, quanto à autópsia e aos procedimentos administrativos relacionados com a libertação do corpo e o registo do óbito.


Presidente Marcelo chama de desumanas as circunstâncias da morte do português em Londres


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Foto: Reprodução


O presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte de um cidadão português na estação de metrô Westminster.



Em nota, o presidente português chamou de “circunstâncias desumanas” as que levaram à morte do rapaz, que tinha menos de 40 anos. Marcelo Rebelo de Sousa também manifestou “a sua solidariedade para com as pessoas que vivem em condições precárias, sem tecto ou sem casa, apelando ao esforço de todos para a sua inclusão na sociedade”.



Segundo informações da organização de caridade The Connection, que atua ao lado de pessoas em situação precária e sem teto, o português era presença frequente nas ações do grupo e estaria esperando o resultado de uma seleção para trabalhar como garçom em Londres. “É importante que seja dito que ele era uma pessoa real, não uma estatística”, disse Pam Orchard, do The Connection at St Martin-in-the-Fields.



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