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Saúde

Nova abordagem das doenças mentais

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Djalma

Por Dr. Djalma Bambirra

Ginecologista e obstetra



(Belo Horizonte/ Brasil) - Que o cérebro está intimamente conectado com todo o corpo não é nenhuma novidade. Mas, saber que os nossos pensamentos, comportamento e humor podem ser afetados pelo que comemos e pela flora intestinal, muda completamente a nossa maneira de abordar as doenças mentais.

É com razão que o intestino merece o título de “segundo cérebro” – é lá que são sintetizados vários neurotransmissores. E mais, para cada fibra nervosa que sai do cérebro em direção ao intestino, existem outras 10 no sentido oposto. O cérebro recebe 4 mil vezes mais informações do intestino do que envia a ele.

Esse conhecimento nos permite melhor compreender e tratar problemas psíquicos como ansiedade, depressão, hiperatividade, autismo e até mesmo a doença de Alzheimer, fazendo algumas pequenas intervenções físicas como:



Opcao 2 prato

1. Corrigir deficiências nutricionais

Há mais de 80 anos cientistas já alertavam que o solo estava gasto e os alimentos não continham as vitaminas e minerais devidos. Imagine hoje, com os agrotóxicos e alimentos geneticamente modificados!

Mas, não basta tomar suplementos. Sua boa absorção depende de uma flora intestinal sadia. Você não é o que você come, mas o que absorve. O bioma intestinal é comparado em riqueza e diversidade à floresta amazônica. E está tão ameaçado quanto!

2. Corrigir desequilíbrios hormonais

A relação entre os hormônios é comparada a uma orquestra – para que haja harmonia, nenhum deles deve destoar.

Alertamos que nosso ambiente está infestado por vários disruptores hormonais como o bisfenol A – presente nas garrafas plásticas de água mineral que portamos com orgulho, nos copos descartáveis e PVC que usamos para embalar alimentos.

3. Evitar agentes inflamatórios, alergênicos e tóxicos

Açúcar e carboidratos processados, óleos vegetais refinados e gorduras trans (hidrogenada) são altamente pro-inflamatórios. E, como sabemos, são a causa do envelhecimento precoce e de várias doenças crônicas. Ah! Os adoçantes artificiais são ainda piores.

Leite e derivados além de serem inflamatórios, são alergênicos, mesmo para os não intolerantes à lactose. Assim também é com o glúten, que compromete a barreira intestinal de todos, inclusive dos não celíacos.

Agentes tóxicos estão muito próximos de nós: na poluição das grandes cidades, nas bebidas alcoólicas e nos inseticidas. – estes permanecem no ambiente por muito tempo e são cancerígenos.

4. Praticar exercícios físicos

Ao contrário do que se pensava, os exercícios físicos, para serem efetivos, devem ser intensos. É dessa forma que há aumento da neurogênese, da produção de hormônios e neurotransmissores. É através do suor que eliminamos algumas toxinas.

A receita é simples: retiramos o que nos faz mal e acrescentamos o que nos falta.

Todos devemos nos interessar por isso, porque só tendo um cérebro sadio somos capazes de aprender, de desenvolver novas habilidades e fazer boas escolhas. É esse estado de saúde mental que nos proporciona otimismo e paz interior – elementos fundamentais para a felicidade e realização pessoal.

Infelizmente, muitos médicos ainda praticam a medicina do século (milênio) passado… Procuram por diagnósticos e combatem os sintomas, mas não buscam as causas. Não é no cérebro que está a origem da grande maioria das doenças mentais.


É preciso ver o organismo como um todo e compreender que não podemos mudar nossa genética, mas que muitos de nossos genes podem ser ativados e/ou desativados pelo meio ambiente (epigenética). E que esse meio ambiente é muito maior do que nós. Somente possuímos 10% das células e 1% de todo o material genético presente em nosso corpo. O restante pertence a bactérias, fungos e vírus que nos habitam!

Até mesmo o conceito de indivíduo deve ser posto em xeque: o que sou eu?

É na busca pela harmonia dessa incrível diversidade que devemos praticar a medicina do século XXI.

As pesquisas científicas dos últimos 20 anos têm demonstrado que a sensação de bem-estar geral, clareza mental, calma e serenidade são determinados por alguns poucos fatores subjacentes. Mas estima-se que ainda levará mais de duas décadas para que estas descobertas sejam incorporadas à prática da maioria dos médicos..

Não precisamos esperar por tanto tempo… Nossas dificuldades com humor, comportamento, atenção ou memória não são de origem genética, da má educação ou da casualidade – mas do nosso estilo de vida. E isso nós podemos mudar… Imediatamente!

Ajudar as pessoas a recuperar esse equilíbrio é a fundação da minha prática médica e o estímulo para minha vida, tendo como objetivo que elas alcancem um estado de saúde nunca antes sonhado como possível.